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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Experiências ufológicas vividas pelos niteroienses e gonçalenses - RJ.

É junho de 1559. O índio Monemoaçu, apontado como irmão de Araribóia, da tribo dos Temiminós, corre pela mata da região onde hoje é o estado do Espírito Santo. Em “uma noite de grande tempestade o tomaram os demônios em corpo, e com grande estrondo o levaram arrastando e maltratando”, narrou o padre jesuíta Antonio de Sá em uma carta.

Três dias depois do rapto, “o pobre índio contava que, depois de havê-lo posto no porto de João Ramalho, o levaram a Santo Antônio com tanto ímpeto e clamor que a si mesmo não se podia ouvir nem entender; daqui o puseram no porto de Jaravaia e, por concluir, diz que o puseram entre muitos outros onde se fizera muito mal”, diz o documento escrito pelo padre.

O episódio seria o primeiro relato de abdução registrado no País e a maior evidência de que se trataria de uma ação extraterrestre seria a forma do rapto e o rápido deslocamento do índio por lugares muito distantes.

A cada minuto, uma pessoa afirma ter avistado um disco voador. A cada seis horas, alguém diz ter sido abduzido. Estima-se que existam mais de 8 milhões de registros de experiências ufológicas em todo o mundo. De acordo com o Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV).

No último dia 10, foi normatizado o registro e relato de experiências envolvendo avistamentos de objetos voadores não-identificados (OVNIs) no âmbito do Comando da Aeronáutica (Comaer). Cabe ao Comaer registrar as ocorrências e enviá-las para o Arquivo Nacional, onde ficarão à disposição de pesquisadores registros como o do padre Antonio de Sá.

“O Brasil é o primeiro no mundo a ter uma legislação deste tipo e, mesmo que os arquivos ultrassecretos ainda não estejam disponibilizados, a pesquisa na área dará um salto. A importância desta normatização é que pessoas que antes ficavam em silêncio, agora registrarão os fatos, principalmente pilotos e controladores de voos”, diz Marco Antônio Petit, pesquisador do CBPDV.

Em Niterói, a Região Oceânica pode ser a que mais concentra casos de avistamentos. Lá estão dois dos três bairros onde Maria Teresa, moradora da Zona Sul da cidade, teria avistado OVNIs. “Em Camboinhas, no final de uma tarde de abril, vi três esferas fazendo malabarismos no céu a uns 50 metros do chão. Se movimentavam sem fazer barulho e eram muito brilhantes com forte luz, tipo de ‘flash’ de câmeras fotográficas. Duas pessoas que estavam comigo também viram. Ficaram uns 15 minutos lá e, repentinamente, seguiram em direção à Serra da Tiririca e sumiram”.

Teresa teria visto, ainda, um OVNI “parecido com uma bacia” em Piratininga, em 2006, e luzes executando manobras no céu em Santa Rosa, em 2009. Itaipu também guarda suas histórias misteriosas, como a vivida pelo então jornalista da Rádio Fluminense, Luiz Antônio de Mello.

“Estava com o guitarrista Steve Hackett na praia de Itaipu, em 1983, quando vimos imensas bolas vermelhas, do tamanho de ônibus, subindo da água e partindo em direção do céu. Eram pouco mais de 20h e eram centenas, talvez milhares. Não sei o que vi e nem acredito em discos voadores. Só sei que vi e nós não tínhamos bebido”.

O ufólogo Paulo Aníbal investigou estes casos em Niterói e acha que o céu da Região Oceânica é o que guarda mais segredos. “Até poucos anos atrás era relativamente comum a observação de pequenos objetos luminosos durante a noite nas proximidades da Lagoa de Piratininga. É possível coletar inúmeros casos de observação de OVNIs no local”, diz.

Paulo inclusive teria registrado em fotografia um dos discos voadores pairando sobre a lagoa, em 1996. Outro caso estudado é o avistamento feito por Márcio, de 24 anos, na praia de Camboinhas, no dia 22 de setembro de 2001. Três esferas faziam malabarismos antes de se evadirem velozmente.

Grupos de observação

Com o preconceito existente contra as pessoas que acreditam em vida extraterreste inteligente, muitos interessados em ufologia acabam participando de grupos de observação astronômica. Em São Gonçalo, Milton Machado, de 43 anos, coordenador do Clube de Astronomia, no Vila Lage, diz que muito do seu interesse pelo espaço veio de suas experiências com fenômenos inexplicáveis que o levaram a crer em discos voadores.

“Muita gente procura o clube para conhecer e explorar também este universo. Eu acredito em seres de outro planeta que visitam a Terra porque já tive experiências. A primeira, há 20 anos, no Boaçu, quando uma luz piscante que pensei ser um avião passou a fazer movimentos como um monitor cardíaco e sumiu”, relata Milton Machado.

Durante uma noite de observação do céu, no Museu de Arte Contemporânea (MAC), alunos e professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) receberam público variado no projeto Casa da Descoberta. Entre os céticos e crédulos, a estudante de escola pública municipal Graziele Rodrigues, de 19 anos, “não acredita nem desacredita”. “Muita gente diz que tem. Eu nunca vi um. De diferente mesmo, só estrela cadente.”

Entre os alunos, a polêmica se aprofunda. Tem gente que acredita que exista vida lá fora, mas que estes seres não teriam a capacidade de chegar até aqui. Essa é opinião do aluno da UFF Luan Ferreira Bastos, de 20 anos. “O universo é muito grande, pode até ter, mas não perto daqui. As distâncias são em anos-luz até o lugar mais próximo que seria capaz de ter vida. E outra possibilidade é que as formas de vida extraterrestres sejam bactérias, que também não têm como vir”.

Dicas pra quem gosta do tema

Em Niterói, o projeto Casa da Descoberta, da UFF, promove encontros para observação do céu, no MAC, toda terceira quinta-feira do mês. Telescópios ficam à disposição e palestras são realizadas. A entrada é franca. Para aqueles que já avistaram algo diferente no céu, o site www.ufostalker.com possui uma ferramenta para que você situe o objeto, poste fotos e vídeos e discuta o tema com outras pessoas.

Vídeo:



Fonte: O Fluminense.

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